A Partida (“Okuribito”)

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Muitas reflexões podem surgir de “A Partida”, mas o que mais me tocou foi sua capacidade de mostrar o poder que a solidão tem de tornar o outro um alguém irreconhecível. Ao mesmo tempo, o filme consegue – com muita habilidade e sensibilidade – mostrar o luto como um lugar de reconhecimento de nossas verdades.

“A Partida” não é um filme sobre perdas, mas sobre encontros (ou melhor, reencontros!).

Vale a pena assistir.

A obra nascendo

Há uma diferença bem interessante entre poema e poesia. O primeiro tem uma existência material, é o que está contido nos livros, é palpável, empírico. Já o segundo é o que se encontra dentro do artista e o que atinge o leitor, o fruidor. Por isso mesmo, é também o que dá vida àqueles versos impressos, estruturados palavra após palavra.

Divagando um pouco mais, a tal poesia – ainda num estágio “embrionário”, lá no peito do poeta – talvez nem esteja estruturada versos… Talvez seja ainda uma sensação, uma percepção que, ao invés de retornar “pra fora” através de uma reação, tenha se voltado pra dentro; um sentimento que se faz arte.

Pensando dessa forma, podemos considerar que uma obra de arte – seja ela um quadro, uma pintura, uma encenação – já exista bem antes de sua execução material. Mais ainda, antes mesmo de sua idealização material! Este ser que existe dentro do artista está livre de acidentes, de materialidade: é ainda um sentimento que quer uma linguagem pra se tornar material. Com isso, o artista escolhe quais objetos irá se valer pra tornar sua verdade visível a todos: figuras geométricas, notas musicais, argila, seu próprio corpo.

A galera do abstracionismo (Kandinsky, Klee, Malevich, entre outros) teve uma grande sacada quando concluiu isso tudo aí de cima: perceberam que não precisavam de objetos figurativos do mundo real (paisagens, retratos ou figuras comuns) para descrever o que havia dentro deles. Eles precisavam apenas expressar. Aqueles pintores não consideravam suas obras abstratas – para eles, os pintores que se valiam de objetos reais para descrever suas sensações é que eram abstratos! – mas, o próprio Kandinsky define sua obra como a concretização daquele núcleo artítico que move todo artista.

Isso tudo deixa claro que a principal tarefa do artista não está em encadear belos acordes em uma harmoniosa melodia, mas que sua técnica esteja à serviço da verdade que nasce dentro dele próprio. E que sua sensibilidade esteja aguçada para observar – com olhar de poeta – aquilo que Deus dispõe para nós, todos os dias.

Kandinsky, Wassily (1923) Composition VIII

Neo-pós-punk (ou o que quer que isso signifique…) – Bloc Party

Como já se transformou  numa obrigação o eterno retorno estético (que, por muitas vezes, me soa mais uma limitação criativa do que um processo cíclico…) eis que adentramos no retorno aos 80′. E, gracas a Deus, ao retorno do que havia de bom nos 80′!

O Bloc Party é apenas um exemplo desse retorno. Várias outras, como o Interpol, The Fray, Radiohead, Franz Ferdinand, fazem esse trabalho muito bem feito: estudaram bastante Joy Division, New Order (que nasceu do Joy Division e  também continuou com a inserção de elementos eletrônicos nas composições), U2 (dos 80′, é claro!), Talking Heads, The Smiths… Melodias ricas, guitarras simples e criativas, baterias mais interessantes… Uma resposta em alto e bom som à geração punk! Eis o pós-punk!

E, como acabamos de sair de um revival dos 70′, com bandas como Blink, Green Day e Foo Fighter, nada mais justo que recorrer ao pós-punk! O Cansei de Ser Sexy catando o The Pixies e os new waves (B’52, The Blondies) e a galera inglesa apelando para os delays e melodias angustiadas, próprios dos saudosos Bauhaus, Siouxisie And The Banshees, Jesus And Mary Chain…

Mas, o que me faz colocar o vídeo do Bloc Party é eles conseguirem preservar a visceralidade do pós-punk. Além do fato que, pra mim, qualquer coisa que soe próximo ao The Cure, soa bem!

Vale uma escutada e uma pesquisada (“So Here We Are” é sensacional!).

Abraço!

Obs: Até o início do vídeo suga um pouco o clip de “Jumping Someone Else’s Train”, do The Cure!…

A criatividade nossa de cada dia

A criatividade exige um olhar atento a tudo, disso já sabemos. O fato é: de que vale isso? Apenas pra termos bons artistas?

A criatividade – seja ela manifesta na arte, na educação ou no dia-a-dia – nos faz pensantes. Mais do que uma forma autêntica de produção, a criatividade nasce de uma maneira particular de observar o mundo. Ela nos leva à observação e, observando, questionamos.

Interessante perceber que, ao final deste processo de observação e questionamento, é possível propor uma solução inédita para aquilo que está diante de nós. E, mais interessante ainda, é perceber que este processo se dá através de métodos próprios, numa linguagem própria e pessoal!

No final das contas, a criatividade nos dá uma conscientização de nossa singularidade, demonstra o valor de nossa capacidade.

Em contrapartida, à medida que nos posicionamos diante de uma obra de arte (seja ela uma pintura, uma música, uma peça teatral…) e somos atingidos por ela, surge uma inquietação por conhecer mais o objeto que nos atingiu (uma busca de “porquês” e “pra quês”). Neste instante, nos é possível concluir que a arte também é – de fato – uma geradora de senso crítico. O senso crítico nasce de uma necessidade de encontrar respostas e soluções pras questões que brotam de uma experiência, de uma troca, de uma fruição.

Bem, digo isso tudo por acreditar que a arte tem um papel fundamental na constituição do indivíduo, e não se resume a um entretenimento saudável. Criatividade e senso crítico são pré-requisitos básicos para uma boa educação, para uma boa formação. Indispensáveis para a construção de uma sociedade saudável e coerente.

Bem, é assim que eu penso…

…Então,

minha intenção com esse site é, antes de tudo, propor uma abordagem um pouco mais abrangente da música. De fato, a música não é apenas um maravilhoso fenômeno sonoro; é preciso encará-la – e vivenciá-la -  como uma manifestação artistica, irmã das artes plásticas, do teatro, da dança, da literatura e do que mais se encaixar no gênero Arte.

Aqui, também, pretendo mostrar um pouco do que sou e faço: as músicas, produções, o estúdio, os escritos, a filosofia,… tudo disposto para ser lido, ouvido, questionado e debatido…

A idéia dos links é também a de içar velas rumo a novos mundos. Aproveitar da melhor forma o que essa web é capaz de oferecer… Se tiver dicas de bons sites, manda que incluo na lista de links…

A curiosidade nos impulsiona, a criatividade  nos encoraja e o senso crítico nos conduz.  Eis a porta de entrada para um universo novo. Tão novo e tão nosso!

Lancemo-nos no novo e vamos ver no que vai dar!

Inté!

Olá!

Olá!

Este pequeno site é (na verdade, ele será) uma maneira de mostrar um pouco do que faço e do que pretendo fazer.

O fato é que, por enquanto, o que tenho feito não tem me deixado fazer o que pretendo pra esse site.

Prometo não demorar em dar início aos trabalhos virtuais!

Se tiver alguma sugestão, mande: duda@dudasuliano.com

Um abraço!

música, arte, produção