Nadando pra onde?
Martin Bubber, no final de “Eclipse de Deus” me surpreende dizendo “…Depois de muito tentarmos nadar contra a correnteza, não seria a hora de buscarmos uma nova fonte que nos levasse para onde realmente queremos ir?”. De fato, admito que, por muito tempo fiz questão de salientar pra todos e pra mim mesmo que eu nadava contra a correnteza! Seja pela escolha profissional ou pelos valores que carrego comigo, vivia como se estivesse lutando contra um gigante e – heroicamente – permanecia ainda de pé.
Mas, de uma certa forma, nadar contra a correnteza é um pouco viver da negação do que discordamos. Não é, efetivamente, fundamentar sua decisão e seu caminho. Contra a correnteza estão os que dogmaticamente condenam os “perdidos e pervertidos”; contra a correnteza estão aqueles que fundamentam sua vida em lições de moral e regras de conduta. Escolheram passar a vida condenando, censurando, apontando… Vivem na mesma correnteza, apenas no sentido inverso…
Na verdade, nascemos nessa correnteza; e nadar contra ela só me levaria de novo pro começo. Não dá pra começar mais por ali!…
Buscar uma nova correnteza é ter uma compreensão fundamentada de seus próprios valores – até mesmo os adquiridos na Igreja – e a noção clara de que a vida que vivemos não é um “ato de revolta contra o sistema”, mas a forma mais honesta e original de vivermos aquilo que chamamos Verdade.
July 12th, 2010 at 11:42
Olá, Duda.
Vejo como essencial buscarmos uma coerência interna, seja contra ou a favor da corrente.
ser o que pensamos, ser o que falamos
ser o que gritamos, ser o que calamos
assumir o que se ama, assumir o que se abomina
assumir o que se sabe, assumir o que não se domina
buscar o que nos completa, abandonar o que não faz sentido
buscar o que leva além, abandonar a vida aquém da plenitude e da verdade.
E um “mínimo” de verdade começa em nós mesmos.
A minha verdade está na coerência do que sou e do que quero ser.
Um abraço,
Talita Prates