Hoje vi um artista nascendo!
Ele estava lá: tímido, sem a noção de já estar nascido, mas completamente seguro e esclarecido sobre seu olhar. Falamos sobre objetivos e, alí mesmo, tive a convicção de que o objetivo é sempre buscar novas possibilidades de gritar a mesma verdade. A ânsia por gritar essa verdade gera novas experiências que, por sua vez, imprimem originalidade em sua obra. Portanto, sendo a experimentação a experiência com o novo, então o que é original precisa nascer do novo – sempre de novo!
De fato, assim é o homem: sendo ele conservador ou moderno, é sempre alguém diferente daquilo que foi um dia antes. Afinal, envelhecer é ser uma novidade diante do que se foi no passado (que contradição!). Bem, se o homem envelhece definindo-se sempre de novo, então a morte é a eternização do novo!
De forma semelhante, também a arte busca se consumir na nova experiência. Morre a tinta, nasce o quadro; esvai-se o sopro, nasce a nota; destroi-se a pedra, brota a escultura… E neste processo, consome-se também o artista, que desfaz conceitos, experimenta novas formas, reflete sua vida e, no processo criativo, se reinventa também. Nasce também.
Ao mesmo tempo, a obra de arte finalizada pelo autor não tem ainda seu ser acabado; afinal de contas, a obra é reinventada a cada degustação do público; cada interpretação, cada sensação vivida, conceitua e traz novas interpretações àquele objeto. E a cada experiência dessa, nasce um novo fruidor (leitor, espectador, ouvinte) e uma nova obra.
Na arte reside a dádiva de podermos nascer de novo. No artista reside a ânsia de “morrer-se” sempre de novo.