Nadando pra onde?
Martin Bubber, no final de “Eclipse de Deus” me surpreende dizendo “…Depois de muito tentarmos nadar contra a correnteza, não seria a hora de buscarmos uma nova fonte que nos levasse para onde realmente queremos ir?”. De fato, admito que, por muito tempo fiz questão de salientar pra todos e pra mim mesmo que eu nadava contra a correnteza! Seja pela escolha profissional ou pelos valores que carrego comigo, vivia como se estivesse lutando contra um gigante e – heroicamente – permanecia ainda de pé.
Mas, de uma certa forma, nadar contra a correnteza é um pouco viver da negação do que discordamos. Não é, efetivamente, fundamentar sua decisão e seu caminho. Contra a correnteza estão os que dogmaticamente condenam os “perdidos e pervertidos”; contra a correnteza estão aqueles que fundamentam sua vida em lições de moral e regras de conduta. Escolheram passar a vida condenando, censurando, apontando… Vivem na mesma correnteza, apenas no sentido inverso…
Na verdade, nascemos nessa correnteza; e nadar contra ela só me levaria de novo pro começo. Não dá pra começar mais por ali!…
Buscar uma nova correnteza é ter uma compreensão fundamentada de seus próprios valores – até mesmo os adquiridos na Igreja – e a noção clara de que a vida que vivemos não é um “ato de revolta contra o sistema”, mas a forma mais honesta e original de vivermos aquilo que chamamos Verdade.