SulianoLaje – Uma experiência

Entre alguns projetos pessoais que tenho, está um duo de guitarra e bateria com o meu amigo Diego Laje. Este trabalho está em laboratório faz uns 2 anos (claro que 2 anos de muitas pausas…) e tem me trazido muita satisfação. Utilizo um Loop Station, no qual gravo minha guitarra em tempo real, e fazemos o tema a partir dalí. O LS não é uma obrigação, portanto, o desafio está aí: termos um resultado que não cause uma sensação de que o ouvinte está diante de algo incompleto.

Bem, o som que está lá no meu MySpace é uma gravação “ao vivo” de uma releitura que fizemos de “A Forest”, do The Cure. Esteticamente o trabalho vai caminhar naquela praia ali…

Vou dando notícia… Se puder, dê uma comentada…

Abraço!

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Dica de bom som: Black Dub

Um som que tenho ouvido ultimamente é o Black Dub; um pop com um som mais cool, com grooves marcantes e uma maturidade imbatível na execução. Daniel Lanois, o guitarrista e líder do projeto, é um produtor de mão cheia, tendo trabalhado com grandes nomes, como o U2. Brian Blade é um dos bateristas que mais admiro atualmente e a cantora (que eu não conhecia) tem uma voz sensacional.

Vale uma pesquisada e algumas escutadas.

Gosto não se discute??

Será que quando não gostamos de algo é simplesmente por uma questão de “gosto” ou nos falta alguma coisa pra que passemos a ter interesse pelo que até então afirmávamos não gostar?

Vale ressaltar que gostar não é algo simplesmente relacionado com o belo, o “bonito de se ver”; gostar é ter interesse, curiosidade mesmo que a obra observada nos traga sentimentos que não tenham relação com o “belo” (como quando assistimos a um bom filme de suspense…).

Sempre que nos deparamos com uma arte qualquer (arquitetura, pintura, etc) inicia-se ali uma troca, um jogo entre nós e a obra de arte. Desse jogo nasce nossa impressão sobre a obra. A brincadeira, na verdade, começa na tentativa de entender a regra do jogo. Nesta etapa, tentamos decodificar a linguagem, nos permitimos sentir sentir e nos apropriamos de cada impressão em nossa alma. Não é algo mecânico, calculado. Entender a regra do jogo é um exercício de sensibilidade, um desafio.

O que faz uma obra ser uma grande obra de arte é a capacidade do artista de desenvolver um jogo genial. A linguagem empregada, a técnica, o desenvolvimento estético, tudo entra no jogo e brinca conosco.

Dizer que não gostou é não entender a regra do jogo. Gostar de algo é apreendê-lo e compreendê-lo. A regra para compreender uma maça é saboreá-la; a regra para compreender uma obra de arte é absorvê-la.

Gosto se discute sim! Debata, viva!!

Inspiração x Transpiração

Costumo ouvir a máxima “a música é 10% inspiração e 90% transpiração” com cada vez mais frequência… Não sei se concordo com isso…

Primeiramente, me soa bastante pejorativo pontuar a transpiração como o componente justificativo para dizer que música é uma profissão, um trabalho. Parece que, para o autor do discurso, um trabalho que não causasse transpiração seria algo duvidoso.

Em segundo lugar (e eis o ponto que considero importante) é óbvio que a música é – necessariamente – inspiração. Precisa ser. Não se faz música com trabalho braçal ou movimentos repetidos, ensaiados. Daí saem os instrumentistas, aqueles que manuseiam bem seus instrumentos; e a técnica realmente exige suor!

Mas música é exatamente o contrário disso! Ela precisa nascer de uma mente livre, de um peito de criança que transpira de tanto brincar! A música é uma linguagem que o coração do artista utiliza pra gritar suas verdades.

E esse processo é difícil; suamos litros e litros pra conseguir achar a nota exata, a pausa correta, a dissoância perfeita pra expressar um sentimento. Mas esse suor é fichinha diante das ondas que nos impulsionam mar adentro dessa inspiração primeira. E essa inspiração primeira, que antecede todas as outras, tem origem na verdade que antecede todas as outras. A busca de um novo que pre-sentimos já conhecer desde sempre: Deus

Afinal de contas, a inspiração quer apenas trazer novos ares aos nosso pulmões. Nos fazendo sentir pulsantes, únicos, vivos.

Dica de som bom!

Brad Mehldau é um pianista sensacional! Um jeito contrapontístico de tocar (os improvisos são lindos!) e uma sensibilidade fantástica. A música do vídeo abaixo é uma releitura de um clássico do Radiohead.

Vale uma pesquisada e algumas ouvidas!

Natividade

Hoje vi um artista nascendo!

Ele estava lá: tímido, sem a noção de já estar nascido, mas completamente seguro e esclarecido sobre seu olhar. Falamos sobre objetivos e, alí mesmo, tive a convicção de que o objetivo é sempre buscar novas possibilidades de gritar a mesma verdade. A ânsia por gritar essa verdade gera novas experiências que, por sua vez, imprimem originalidade em sua obra. Portanto, sendo a experimentação a experiência com o novo, então o que é original precisa nascer do novo – sempre de novo!

De fato, assim é o homem: sendo ele conservador ou moderno, é sempre alguém diferente daquilo que foi um dia antes. Afinal, envelhecer é ser uma novidade diante do que se foi no passado (que contradição!). Bem, se o homem envelhece definindo-se sempre de novo, então a morte é a eternização do novo!

De forma semelhante, também a arte busca se consumir na nova experiência. Morre a tinta, nasce o quadro; esvai-se o sopro, nasce a nota; destroi-se a pedra, brota a escultura… E neste processo, consome-se também o artista, que desfaz conceitos, experimenta novas formas, reflete sua vida e, no processo criativo, se reinventa também. Nasce também.

Ao mesmo tempo, a obra de arte finalizada pelo autor não tem ainda seu ser acabado; afinal de contas, a obra é reinventada a cada degustação do público; cada interpretação, cada sensação vivida, conceitua e traz novas interpretações àquele objeto. E a cada experiência dessa, nasce um novo fruidor (leitor, espectador, ouvinte) e uma nova obra.

Na arte reside a dádiva de podermos nascer de novo. No artista reside a ânsia de “morrer-se” sempre de novo.

A Partida (“Okuribito”)

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Muitas reflexões podem surgir de “A Partida”, mas o que mais me tocou foi sua capacidade de mostrar o poder que a solidão tem de tornar o outro um alguém irreconhecível. Ao mesmo tempo, o filme consegue – com muita habilidade e sensibilidade – mostrar o luto como um lugar de reconhecimento de nossas verdades.

“A Partida” não é um filme sobre perdas, mas sobre encontros (ou melhor, reencontros!).

Vale a pena assistir.

A obra nascendo

Há uma diferença bem interessante entre poema e poesia. O primeiro tem uma existência material, é o que está contido nos livros, é palpável, empírico. Já o segundo é o que se encontra dentro do artista e o que atinge o leitor, o fruidor. Por isso mesmo, é também o que dá vida àqueles versos impressos, estruturados palavra após palavra.

Divagando um pouco mais, a tal poesia – ainda num estágio “embrionário”, lá no peito do poeta – talvez nem esteja estruturada versos… Talvez seja ainda uma sensação, uma percepção que, ao invés de retornar “pra fora” através de uma reação, tenha se voltado pra dentro; um sentimento que se faz arte.

Pensando dessa forma, podemos considerar que uma obra de arte – seja ela um quadro, uma pintura, uma encenação – já exista bem antes de sua execução material. Mais ainda, antes mesmo de sua idealização material! Este ser que existe dentro do artista está livre de acidentes, de materialidade: é ainda um sentimento que quer uma linguagem pra se tornar material. Com isso, o artista escolhe quais objetos irá se valer pra tornar sua verdade visível a todos: figuras geométricas, notas musicais, argila, seu próprio corpo.

A galera do abstracionismo (Kandinsky, Klee, Malevich, entre outros) teve uma grande sacada quando concluiu isso tudo aí de cima: perceberam que não precisavam de objetos figurativos do mundo real (paisagens, retratos ou figuras comuns) para descrever o que havia dentro deles. Eles precisavam apenas expressar. Aqueles pintores não consideravam suas obras abstratas – para eles, os pintores que se valiam de objetos reais para descrever suas sensações é que eram abstratos! – mas, o próprio Kandinsky define sua obra como a concretização daquele núcleo artítico que move todo artista.

Isso tudo deixa claro que a principal tarefa do artista não está em encadear belos acordes em uma harmoniosa melodia, mas que sua técnica esteja à serviço da verdade que nasce dentro dele próprio. E que sua sensibilidade esteja aguçada para observar – com olhar de poeta – aquilo que Deus dispõe para nós, todos os dias.

Kandinsky, Wassily (1923) Composition VIII

Neo-pós-punk (ou o que quer que isso signifique…) – Bloc Party

Como já se transformou  numa obrigação o eterno retorno estético (que, por muitas vezes, me soa mais uma limitação criativa do que um processo cíclico…) eis que adentramos no retorno aos 80′. E, gracas a Deus, ao retorno do que havia de bom nos 80′!

O Bloc Party é apenas um exemplo desse retorno. Várias outras, como o Interpol, The Fray, Radiohead, Franz Ferdinand, fazem esse trabalho muito bem feito: estudaram bastante Joy Division, New Order (que nasceu do Joy Division e  também continuou com a inserção de elementos eletrônicos nas composições), U2 (dos 80′, é claro!), Talking Heads, The Smiths… Melodias ricas, guitarras simples e criativas, baterias mais interessantes… Uma resposta em alto e bom som à geração punk! Eis o pós-punk!

E, como acabamos de sair de um revival dos 70′, com bandas como Blink, Green Day e Foo Fighter, nada mais justo que recorrer ao pós-punk! O Cansei de Ser Sexy catando o The Pixies e os new waves (B’52, The Blondies) e a galera inglesa apelando para os delays e melodias angustiadas, próprios dos saudosos Bauhaus, Siouxisie And The Banshees, Jesus And Mary Chain…

Mas, o que me faz colocar o vídeo do Bloc Party é eles conseguirem preservar a visceralidade do pós-punk. Além do fato que, pra mim, qualquer coisa que soe próximo ao The Cure, soa bem!

Vale uma escutada e uma pesquisada (“So Here We Are” é sensacional!).

Abraço!

Obs: Até o início do vídeo suga um pouco o clip de “Jumping Someone Else’s Train”, do The Cure!…

A criatividade nossa de cada dia

A criatividade exige um olhar atento a tudo, disso já sabemos. O fato é: de que vale isso? Apenas pra termos bons artistas?

A criatividade – seja ela manifesta na arte, na educação ou no dia-a-dia – nos faz pensantes. Mais do que uma forma autêntica de produção, a criatividade nasce de uma maneira particular de observar o mundo. Ela nos leva à observação e, observando, questionamos.

Interessante perceber que, ao final deste processo de observação e questionamento, é possível propor uma solução inédita para aquilo que está diante de nós. E, mais interessante ainda, é perceber que este processo se dá através de métodos próprios, numa linguagem própria e pessoal!

No final das contas, a criatividade nos dá uma conscientização de nossa singularidade, demonstra o valor de nossa capacidade.

Em contrapartida, à medida que nos posicionamos diante de uma obra de arte (seja ela uma pintura, uma música, uma peça teatral…) e somos atingidos por ela, surge uma inquietação por conhecer mais o objeto que nos atingiu (uma busca de “porquês” e “pra quês”). Neste instante, nos é possível concluir que a arte também é – de fato – uma geradora de senso crítico. O senso crítico nasce de uma necessidade de encontrar respostas e soluções pras questões que brotam de uma experiência, de uma troca, de uma fruição.

Bem, digo isso tudo por acreditar que a arte tem um papel fundamental na constituição do indivíduo, e não se resume a um entretenimento saudável. Criatividade e senso crítico são pré-requisitos básicos para uma boa educação, para uma boa formação. Indispensáveis para a construção de uma sociedade saudável e coerente.

Bem, é assim que eu penso…

música, arte, produção